Esportes olímpicos: histórico de chacotas recentes

Esportes Olímpicos

Há dois meses, no campeonato brasileiro de basquete feminino, uma equipe de uniforme branco com o patrocínio da Unimed deu uma lavada no Fluminense. Pelas quartas-de-final, o Unimed/Ourinhos eliminou o Fluminense por 3 a 0 (97 x 29, 102 x 32 e 121 x 40). Em todos os jogos, mais que o triplo de diferença. Aliás, se formos somar os pontos do Fluminense nos três jogos não igualam o número do adversário na segunda ou terceira partida. Que vergonha! Ainda mais para um clube que foi campeão nacional há dez anos.

O vexame é o retrato do esporte olímpico tricolor. Hoje, com exceção de pólo-aquático e tiro, esportes que contam com apoio de caciques políticos de peso na cúpula de poder atual, o clube é sinônimo de fracasso, principalmente em esportes amadores de maior visibilidade, como natação, basquete e voleibol. Em todas as modalidades chega a faltar o básico, como uniformes e outros materiais.

A outrora tradicional natação nem equipe adulta tem. O voleibol, que já teve Bernard, Bernardinho, Dulce e Regina Uchoa, nem se ouve mais falar. Já o basquete é o fiasco que assistimos, a ponto de nossa melhor jogadora trocar o Flu pela Mangueira sob o argumento de que “terá melhor estrutura para trabalhar”. (confira em http://globoesporte.globo.com/ESP/Noticia/Basquete/0,,MUL341877-4433,00.html)

O quadro é patético! Quem diria que esse mesmo clube, por ser um exemplo de organização esportiva, recebeu a Taça Olímpica em 1949, cujo diploma e uma placa estão expostos com orgulho na desorganizada e mal cuidada sala de troféus do Fluminense.

Até 2006, a lei Agnelo/Piva previa benefício fiscal apenas para as empresas que investissem nas Confederações de cada modalidade. A partir de 2007, o Governo Federal sancionou uma alteração na legislação, permitindo às empresas que disponham do benefício fiscal também em projetos de esportes olímpicos aplicados aos clubes. Enquanto clubes rivais, como Atlético-MG e São Paulo, conseguiram aprovar projetos importantes, mais uma vez o Fluminense não tomou iniciativa, perdendo oportunidade valiosa de garantir financiamento para melhorar sua estrutura e também o nível de suas equipes.

João Havelange, ex-presidente da Fifa, é tricolor. Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, também. Coaracy Nunes Filho, presidente da CBDA, idem. Como se não bastasse, a própria Unimed, que patrocina o Ourinhos e o Catanduva, times que fizeram a final do nacional feminino de basquete, tem uma parceria de sucesso com o futebol tricolor. Ou seja, elementos para tornar o esporte olímpico do Fluminense vencedor existem, mas as oportunidades não são aproveitadas: falta organização, proatividade, inovação e, principalmente, esforço para buscar os patrocinadores que podem viabilizar as modalidades.

Não falaram que seríamos uma potência olímpica em 2012? Com a palavra, o senhor Ricardo Pereira Martins, Vice-Presidente de Esportes Olímpicos do Fluminense Football Club há mais de 9 anos.

Retornar à Página Inicial

Comentários

  1. Carlos Muniz

    comentou em 25/03/2008, às 0:05

    No basquete feminino, não só a Clarissa, revelação do ano, mas toda a Comissão Técnica e meio time mudaram para a Mangueira.

    Ainda veremos Clarissa no basquete europeu, quem sabe WNBA e o Fluminense sem ter um centavo sequer de vantagem na formação dela.

    No basquete masculino, aluguel do time do Minas TC, então campeão Sul-americano. Terceiro lugar, vaga garantida no campeonato nacional, mas sem time para colocar. Perguntem aos jogadores onde eles mais gostaram de atuar, se no Minas ou Fluminense.

    O Rexona/Ades, time de Bernardinho tem duas jogadoras vindas do Fluminense.

    Capacidade de revelar atletas de nível ainda existe mas parece não haver vontade, disposição e entrega para tal. Tudo isso tem desonrado nossa maior glória, a Taça Olímpica.

    Não fosse o patrocínio da Unimed, não sei onde estaria a Juliana Veloso.

    Juliana, que é uma ilha de vitórias cercada de incompetência por todos os lados.

    Aliás, “ilha”, lembra-me um comentário infeliz de um suposto oposicionista.

    Nosso esporte olímpico bóia num pedaço de madeira em alto-mar procurando uma verdadeira Ilha de excelência onde possa aportar.

  2. Danilo Félix    

    comentou em 25/03/2008, às 10:35

    Realmente os Esportes Olímpicos do Flu estão abandonados. Falta competência, organização e principalmente ação !

    Mas durante a campanha eleitoral o candidato Paulo Mozart afirmou em entrevista ao jornal Lance que “…os esportes olímpicos do Flu eram uma ilha de excelência…”.

    Pobre Fluminense…

  3. Marcos Alhanati

    comentou em 25/03/2008, às 15:16

    Realmente Carlos,

    As duas meninas que jogam no Rexona/Ades começaram no Flu e jogavam muito mas como sempre não aguentaram a estrutura “excelente” que o clube oferece.

    Na época eu ia assistir alguns treinos do Volei e pude comprovar que o time não era ruim mas a estrutura é péssima.

  4. Dhaniel Cohen

    comentou em 25/03/2008, às 16:28

    Não acho que esporte olímpico seja prioridade para um grande clube de futebol, como o Fluminense, mas seria perfeitamente viável termos mais competência para não sofrermos humilhações e agregarmos mais valor à marca.

  5. LFAR

    comentou em 25/03/2008, às 17:25

    Marcos,

    As meninas são Michele e Monique, sairam do Flu direto para o Rexona – Ades, são excelentes jogadoras. Infelizmente, desprezarmos o mercado de esporte amador. Tive a oportunidade de assistir ao jogo do Rexona com o Osaco, quadra do Maracanazinho lotada, um movimento extraordinário de pessoas, $$$ rolando. E o Flu fora deste mercado…

    Temos que ser sinônimo de vitórias no futebol, no basquete(masc e fem), no volei (masc e fem), no futsal e natação.

    Temos que ter equipes nestas modalidades para que possamos alavancar nossas escolinhas, nosso projeto Fluminense Educação Esportiva e importante contratar atletas de peso nacionais em cada modalidade, isto gera novas receitas e coloca o Flu em outro patamar.

    Sou totalmente favorável ao investimento nestas modalidades. Elas podem ser sim, auto suficientes, desde de que bem administradas.

    Abs,

    LFAR

  6. Claudio Maes

    comentou em 25/03/2008, às 18:06

    O Fluminense é FOOTBALL CLUB.
    Todo o resto é supérfluo.

  7. Rogério Felix

    comentou em 26/03/2008, às 23:06

    Grande Conselheiro flusócio Maes, concordo em gênero, número e grau, porém, mais ainda, o que é colocado em jogo é a *marca* FLUMINENSE, que tem que estar sempre associada à vitórias, ou ao menos qualidade e competitividade. Se não é para colocar um time forte em qualquer competição, de basquete, futebol de mesa, tiro ou xadrez, que não se inscreva um ’sparring’ com o escudo do glorioso Fluminense na camisa. O Fluzão tem que ser forte sempre, ou não competir onde não tem competência nem investimento sério. Abraços.

  8. André Raposo

    comentou em 8/06/2008, às 9:36

    Vergonha?!?!? Esqueceram de mencionar que o Fluminense é uma potência do Voleibol Masculinho e Feminino, ganhando a maioria dos campeonatos disputados nas categorias de base…no Basquete idem…nado sincronizado com o excelente trabalho realizado pela Magali Cremona…saltos ornamentais dispensa comentários…tiro olímpico tradicionalíssimo…futsal…natação retomando as glórias com o retorno do vitorioso técnico Luiz Raphael…sem falar do Pólo Aquático, esporte olímpico mais vitorioso da história tricolor! Quem critica o que está dando certo não pode estar falando sério e por isso não merece credibilidade alguma!