O papel da imprensa nos esportes olímpicos
Publicado em 29.04.2009.
Por Flusócio
O Fluminense Football Club está celebrando 60 anos da Taça Olímpica, mais uma honraria de nossa história que tanto nos orgulha, que reflete uma tempo em que éramos um exemplo em quadras, ginásios, campos, estádios do Brasil e do mundo. Aliás, recomendamos o site que o departamento de marketing do FFC fez para lembrar a conquista: www.tacaolimpica.com.br. A Taça Olímpica, inclusive, foi motivo de uma comemoração ontem à noite envolvendo os conselheiros do clube e terá sua imagem na nova camisa do Flu. Pena, porém, que só o passado seja motivo de festa.
O presente do clube e o passado recente trazem pouquíssimas glórias nos esportes olímpicos. De uns tempos para cá, não só o Fluminense, como a maioria dos clubes de massa, não consegue mais equipes competitivas no vôlei, basquete, natação… Ídolos, então, nem pensar. Quais serão os motivos? Apenas a incompetência dos dirigentes justifica o fato? Vejamos o exemplo recente da equipe de vôlei feminino do Finasa Osasco, que foi extinta e depois recuperada por um grupo de empresários com o apoio da prefeitura local. Vale a pena análise para refletirmos sobre o futuro dos esportes não apenas no clube, mas em todo o país.
A imprensa que tanto criticamos por manifestar de forma cínica seus interesses e preferências aprontou mais uma quando comentou sobre o fim da equipe de vôlei da Finasa, por eles batizada de Osasco. O discurso alterna entre o desconhecimento dos motivos da decisão e o apelo para que a confederação, empresários e jogadoras venham a se entender. Em nenhum momento, cogitaram a respeito da parcela de responsabilidade da própria imprensa.
Esquecem que patrocinadores como Finasa, Rexona, Brasil Telecom, Cimed, Vivo e Blausiegel são responsáveis pela geração de conteúdo para os veículos de comunicação. Esquecem que a existência de uma superliga atraente só é possível com patrocinadores fortes. Esquecem que o investimento da iniciativa privada no esporte passa também por uma função social, pois diminui a dependência do esporte pelas verbas públicas que devem ser priorizadas para educação e saúde. E esquecem, principalmente, que existem enormes dificuldades em se obter patrocínio para o esporte. Entre as principais razões podem ser citadas:
– Ser uma ação relativamente nova, o que faz com que os gestores de marketing das empresas prefiram utilizar alternativas mais conservadoras, até como forma de não correrem o risco de serem questionados por seus superiores;
– A complexidade de mensuração de retorno;
– A falta de incentivos fiscais bem definidos;
– A característica de ganância dos grandes grupos de comunicação.
Qual é o problema em citar que o Rexona derrotou o Finasa? O que os veículos perdem? Por acaso, a Ferrari não venceu o mundial de construtores? Chega a ser ridícula a tentativa de esconder o nome do patrocinador em uma simples entrevista. Chegará o momento em que só os lábios do entrevistado serão focalizados. A marca dificilmente aparece porque os câmeras da Globo e da Sportv são orientados a não mostrá-la. O foco fica apenas na cara do entrevistado, por mais que as assessorias se esforcem para o contrário. Resultado? As empresas se interessam cada vez menos em investir, principalmente quando não se trata de futebol, pois vôlei ou basquete naturalmente têm menos mídia.
Como será, por exemplo, que ficará a superliga feminina 2009/2010? A Brasil Telecom já tinha anunciada sua retirada, antes foi a vez do Finasa e talvez outras empresas desistam em breve também. A imprensa, contudo, provavelmente culpará a crise ou quem sabe os “altíssimos salários” das jogadoras, sem falar na insensibilidade dos empresários, que não passam de aproveitadores e deixarão sem emprego pobres atletas. É certo que todos os motivos citados anteriormente podem ter alguma influência, mas não esqueçam da elevada carga de participação dos meios de comunicação nessa decisão.
Provavelmente algumas adaptações de esportes serão experimentadas como conteúdo para substituir as excelentes partidas de voleibol. Quem sabe um showbol na praia ou qualquer outra derivação que venha descaracterizar os tradicionais esportes olímpicos. Talvez até o Brasil passe a ser potência nessas criativas modalidades, afinal, inicialmente, só nós a praticaremos. Quando, porém, as próximas Olimpíadas chegarem e os esportes que valem medalhas começarem a ser disputados, críticas serão feitas aos gestores das confederações, ao governo, aos atletas que “amarelam” e mais uma vez um setor ficará isento de responsabilidade, isso mesmo, o setor que se recusa a narrar o nome dos patrocinadores.
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comentou em 29/04/2009, às 9:15
Excelente.
Até que enfim alguém botou o dedo na ferida.
Parabéns.
comentou em 29/04/2009, às 9:34
esse lance do enquadramento realmente é RIDICULO outro dia na globo só mostrou os olhos do jogador, para não ter que filmar os banners de patrocinio.
agora isso é um problema de todos os clubes brasileiros que poderia ser resolvido a pedido do clube dos 13, pq não cobrar da imprenssa para filmar treinos? ou no minimo exigir que se msotrem imagem do atleta e do banner atras dele?
Digo mais já passou da hora dos clubes se mobilizarem e pedirem mais dinheiro pelo televisionamento dos jogos tanto no ppv qto no aberto…
comentou em 29/04/2009, às 9:51
Maravilha !!!
Esse é o verdadeiro Observatório da Imprensa Tricolor.
ST!
comentou em 29/04/2009, às 10:47
Post mais que perfeito.
Complemento com um exemplo da Fórmula-1. Chega a ser engraçado o Galvão chamando a Red Bull Racing de “RBR”, porque a empresa não chegou a acordo com a Rede Globo.
Mesmo no futebol, um exemplo gritante pode ser lido abaixo:
“No futebol gaúcho, Ulbra não quer ser chamada de Canoas
Do UOL Esporte
Em Porto Alegre
O Sport Club Ulbra, uma das associações mais jovens entre as que integram a elite do futebol gaúcho, está revoltado com tratamento que vem recebendo e externou isso em Nota Oficial divulgada nesta sexta-feira. A indignação é conseqüente da denominação que vem sendo dada a ele pela emissora de televisão que transmite os jogos do Campeonato Gaúcho.
Sempre conhecida e chamada de Ulbra, nesta temporada a emissora – Globo – adotou o nome Canoas, numa referência à cidade onde o clube tem sua sede. Acontece que em Canoas já existe uma outra associação com esse nome, o Canoas Futebol Clube, e na visão dos diretores o tratamento que vem sendo dado ao time neste Estadual, durante as transmissões, é um desrespeito aos dois clubes da cidade.
Fundada em 1998, a Ulbra chegou à primeira divisão do futebol gaúcho em 2004, oportunidade em que foi vice-campeã regional. A partir de então vem fazendo campanha sempre razoáveis ou boas na competição, embora ainda não tenha conquistado nenhum título. Neste 2009, a equipe integra o grupo B e estava invicta até a noite desta quinta-feira, quando foi goleada pelo Internacional, no Beira-Rio, por 4 a 1.
Na Nota Oficial enviada pela assessoria de imprensa da Ulbra aos veículos de comunicação, um trecho revela a revolta da instituição que tem seu estádio no Complexo da Universidade Luterana do Brasil, em Canoas, da seguinte forma: “Lamentamos profundamente que a atitude desta emissora possa provocar desentendimento por parte do público. Desde já nos posicionamos contra esse tipo de atitude”.”
abs.
Carlos Nogueira.
comentou em 29/04/2009, às 11:17
Desculpe-me a Flusocio, mas devo discordar em alguns pontos. O fato de o patrocinador bancar uma modalidade esportiva de um clube não dá a ele o direito de mudar o nome da instituição e pronto. A estrutura é toda do clube, a tradição é do clube e os atletas tb são do clube. Se assim quiser, monta uma estrutura, cria categorias de base, faz a fidelização da marca junto a sociedade, cria a sua historia e se torna um verdadeiro clube. Aí sim, poderíamos ter uma equipe chamada Finasa, Rexona,….Associar a marca ao nome já acho de muito bom tamanho. Não consigo pensar um jogo de futebol entre Unimed x Liquigas…. A marca já está estampada nas camisas, nos locais de treino e de jogos e tb nas áreas de coletiva de imprensa, mesmo que atrás dos entrevistados. No esporte, o protagonista é o atleta, o treinador…. O resto é coadjuvante e tenta tirar proveito da melhor maneira que puder, tentando expor o máximo a sua marca. É verdade tb que no caso dos esportes olímpicos, o apelo é muito menor e a exposição tb é menor, sendo difícil a manutenção sem o patrocínio forte, mas não podemos de forma alguma descaracterizar a imagem da pessoa em prol de uma marca seja ela qual for!!!! Agora, infelizmente estamos nas mãos destes pseudo-patrocinadores que decidem o futuro de um Clube, seja pagando, contratando, escalando…. Simplesmente pq não sabemos e não conseguimos caminhar com as nossas próprias pernas.
comentou em 29/04/2009, às 11:30
Muito boa crítica ao comportamento da imprensa, em particular ao das Organizações Globo. Comportamento que muitas vezes passa despercebido da maioria e que a longo prazo é extremamnte nocivo ao desenvolvimento dos esportes, afugentando patrocinadores privados. Lembro que por muitos anos as OG ignoraram do noticiário a Maratona do Rio (o maior evento esportivo de rua em nossa cidade!) por ser patrocinada por outro veículo de comunicação. Imaginem se ocorrer alguma divergência séria (comercial ou jurídica) entre a OG e a patrocinadora de algum clube! A onde este boicote poderia chegar?
comentou em 29/04/2009, às 11:48
Li que a Unimed poderia patrocinar os esportes olímpicos do Botafogo.
Alguém está sabendo disso também?
Porque eles não patrocinam o basquete, volei, natação e outros esportes do Flu?
As vezes passo em frente ao Maracanazinho e vejo os flamenguistas indo ver jogos do time de basquete deles…dá até uma inveja de leve.
comentou em 29/04/2009, às 11:48
Caro Fabiano Camargo,
Rexona/Ades (Rio de Janeiro) e Finasa-Osasco não são clubes, mas equipes patrocinadas. Nesses campeonatos, raras equipes estão ligadas a clubes, como o Minas Tênis Clube.
Não existe estrutura, tradição, sequer torcida nessas equipes. As empresas pagam para organizarem-nas.
comentou em 29/04/2009, às 12:05
Quando a imprensa altera os nomes dos clube, deixa de mostrar os banners ou os substitui através de computação gráfica está falsificando a realidade e portanto fazendo péssimo jornalismo, como soe acontecer na imprensa esportiva brasileira.
Quanto ao mau desempenho do Flu nos esportes em que antigamente pontificava, acho natural. O futebol ficou muito caro e esses esportes se profissionalizaram. Não dá para concorrer com os clubes de empresas que investem e querem retorno. O Minas T.C. consegue mudando seu nome em cada temporada. Fiat-Minas, sabonete-Minas, armarinho-Minas, agiota-Minas e assim por diante. Acho que esses esportes deveriam ter times amadores, com atletas do próprio clube, sem nenhuma contratação e disputar apenas competições compatíveis. É triste para quem foi militante nos anos de glória e por tal se fez tricolor, mas não dá mais para abarcar tudo. O mundo mudou.
Não conseguimos organizar o próprio futebol…teríamos que possuir um poder financeiro e administrativo que não temos.
Ou então, separe-se o futebol.
comentou em 29/04/2009, às 12:05
Tópico brilhante. Os grandes meios de comunicação, vide a Flapress, divulgam mais quem quer, o clube que querem, a marca que querem, sempre de acordo com suas conveniências. Enquanto isso, um país que poderia ser potência olímpica e ganhar muito mais Copas do Mundo vê suas grandes estrelas no exterior, já que a iniciativa privada não tem interesse de bancá-las aqui dentro para quase não ter retorno midiático.
comentou em 29/04/2009, às 12:18
Caro Carlos, posso ter sido mal interpretado ou exposto de uma forma incorreta. O que acho é que os clubes deveriam atrair os patrocinadores com o intuito de apoia-los e não aluguel de pessoas para formar um time e pronto. Digo isso, pq estão sumindo os times como Pinheiros, Minas (q vc mencionou), Banespa, Sogipa…. Já não aparecem no cenário. Alugar equipes, é excelente pro patrocinador e muito ruim principalmente para os atletas.
comentou em 29/04/2009, às 12:23
Todos querem os craques de volta e todos falam do apoio aos esportes olimpicos antes e não só no ano de olimpiadas etcc… mas na hora que o patrocinador banca a volta de grandes jogadores como este ano na superliga, não há divulgação pelo meio de transmissão. A Globo é a única que transmite o volei e não fala o nome do patrocinador e tenta evitar ao máximo a sua marca, mas adora qdo os jogos tem André Heller, André Nascimento.
Caro Fabiano Camargo, na minha modesta opinião é muito diferente, pois esses clubes não existem, não há torcida e se não fosse pelos patrocinadores não haveria superliga. Logo eles tem total direito de colocar o nome que quiserem e não ficar na mão de quem transmite colocar o nome que eles bem entendem.
Abraços e ST
comentou em 29/04/2009, às 13:09
Excelente.
Um dos melhores post da Flusocio.
Realmente é ridículo mostrar cada vez mais de perto o rosto dos atletas, dos técnicos ou seja lá, quem for. Daqui a pouco vamos conseguir contar o número de cravos, espinhas e melecas de todos os entrevistados.
Se não querem mostrar quem é o patrocinador daquele esporte, abram mão da exclusividade e deixem os outros canais transmitirem os eventos esportivos.
comentou em 29/04/2009, às 13:58
Excelente post!
OFF-TOPIC: Endossando o comentário do Eduardo às 9h51m, a FLUSÓCIO , também é para mim o Observatório de Impresa Tricolor e seguindo nesta linha, covém lembrar que a famigerada FERJ, ainda não corrigiu o site em relação ao nosso título de 2002.Pergunto:Eles estão pecando por incompetência, inoperância ou má-fé mesmo! Acho que cabe um Post nesse sentido.
Saudações Tricolores!
Sergio Araujo
comentou em 29/04/2009, às 14:48
Complicado mesmo. Sempre achei uma tremenda sacanagem com os patrocinadores chamarem o Rexona de Rio de Janeiro, a Finasa de Osasco, o Cimed de Florianopolis, Blausigel de Sao Caetano, e por aí vai…
É uma situacao recente, pois, nos anos 80 e 90 os times tinham os nomes dos patrocinadores, como Banespa, Pirelli, Supergasbras e Atlantica Boavista.
Na televisao, o enquadramento é pior. Ano passado, lembro de uma situacao caricata onde só filmaram os olhos e o nariz do Renato, pois existe uma plaquinha da Unimed anexa ao microfone.
PS: Sobre a RedBull, o vacilo nao é da Globo e do Galvao, como falaram por aí. A própria FIA/FOM (que gerenciam assuntos voltados à Formula 1) que definem como as equipes vao ser chamadas. A Globo nao apita nada nesta situacao.
Inclusive o Sergio Mauricio, do Sportv (que, por sinal, sabe muito de corrida) já falou sobre isso.
comentou em 29/04/2009, às 14:54
Ah…sobre o suposto patrocínio da Unimed aos esportes olimpicos do Botafogo:
Se eu fosse dirigente deles, faria a mesma coisa. O Miguel Angelo da Luz (responsavel pelos esportes olimpicos deles) é MUITO MELHOR (com letras garrafais) que o inerte e incompetente Rene Machado (dos esportes olimpicos do Fluminense). Esse cara está há seculos lá e nao consegue formar um time decente de volei, de basquete, de nada…
Em 2000, 2001 e 2002, ainda tivemos um time que chegou a fazer uma graça nos estaduais e nacionais. Eu ia ver tudo quanto era jogo. Só que sempre perdiamos pro Vasco que, na epoca, tinha um pivô enorme e magrelo despontando para o basquete. Era o NENE HILÁRIO, que hoje brilha na NBA (com uns 50kg a mais, rsrs).
Mesmo assim, disputavamos la nas cabeças os campeonatos estaduais. Do nosso time, podemos destacar o Marcelinho (durante pouco tempo), os americanos Keith Nelson e Higgins (pivô branco nao pode ser bom), Gema, Alberto, Diego e os horrorosos Espiga, Magu, Pablo e Emerson. O tecnico era o Alberto Bial.
comentou em 29/04/2009, às 15:41
OFF:
Matéria do jornal _ _ _ _ _ esporte (tb naum vou mencionar o nome, hahaha) sobre os balancos de 2008 do São Paulo, Corinthians, Palmeiras e Internacional.
http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/
Bom para compararmos os números deles com o nosso melhor ano da história.
ST,
GP
comentou em 29/04/2009, às 16:05
Prezado Thiago Lira,
Se quem explicou isso foi um narrador do Sportv (leia-se Globo), fica fácil de entender. Mas não é verdade o que ele disse. Pelo menos não mais.
Acesse o site da FIA (http://www.fia.com/EN-GB/SPORT/CHAMPIONSHIPS/F1/Pages/SeasonGuide.aspx) e veja lá escrito a equipe: Red Bull Racing. Há algum tempo não mais consta “RBR”, após pedido expresso da escuderia.
Veja a coluna abaixo, do Flávio Gomes, no Lance!:
“Falo da Red Bull, que vem sendo chamada de RBR pelos meus colegas globais e que é tratada da mesma forma quando aparece no vídeo a lista dos pilotos e seus tempos nos treinos e nas corridas.
Isento os colegas, porque os conheço e eles apenas obedecem ordens, mas miro sem dó uma bazuca na direção de quem determinou que Red Bull seja RBR. Que coisa mais ridícula é essa? O cara compra uma equipe, dá emprego a centenas de pessoas, gasta os tubos para não deixar morrer um time de F-1, faz bonito, e não tem seu nome pronunciado no ar?
Ah, Red Bull não é marca de carro, é uma latinha, pode-se argumentar. E Benetton, era? Para mim, sempre foi moletom e camiseta. Qual a lógica? Não fazer propaganda de graça? E o que se faz quando se menciona Toyota, Renault, Ferrari? Afinal, todas essas empresas gastam seu dinheiro para isso mesmo: fazer propaganda. E não é de graça. Vá ver quanto custa manter uma equipe.
É verdade, um Red Bull não é um carro, não faz carro, é uma equipe. Assim como Minardi ou Jordan nunca foram. Ou alguém aí conhece um proprietário de um Williams de rua? A marra global é até compreensível, tamanhas as idiossincrasias da emissora, que corta a cabeça de qualquer atleta para não aparecer a marca bordada no seu boné ? grande estímulo, diga-se, a empresas que apóiam o esporte e os esportistas…
Mas até nos caracteres oficiais gerados pela FOM? Por que RBR, se o motor da Sauber aparece como Petronas? E os motores da Prost, feitos igualmente pela Ferrari, que um belo dia foram batizados como Acer, marca de computador? Você já guiou um carro com motor Petronas ou Acer? Ou Playlife, como a Benetton usava?
Agora pergunto: se a Red Bull resolver comprar uma cota de patrocínio na Globo, será tratada como RBR?
Tenha dó. Já vi muita bobagem na vida, mas essa da RBR está na pole.”
Já essa entrevista do diretor da Globo Marcelo Campos Pinto é “elucidativa” quanto a falar o nome das empresas:
“abril 23, 2009
“Falar o nome de patrocinador na TV é merchandising”, diz executivo da Globo
Logo após o anúncio de que o Bradesco não continuaria patrocinando o time principal de vôlei de Osasco, iniciou-se um debate na mídia sobre as possíveis causas para os cortes nos gastos. Na maioria dos casos, elegeu-se a crise econômica como a principal vilã. Outro fator bastante discutido foi o investimento que os chamados esportes olímpicos recebem no Brasil. Mas o fim do time teve muito mais espaço em todos os veículos do que os jogos e o campeonato em si. Ironicamente, a questão da exposição na mídia ganhou poucas linhas.
A Rede Globo de Televisão, que transmitiu a final da Superliga, tem como princípio não falar os nomes dos patrocinadores de equipes e torneios esportivos, seja qual for a modalidade. Nem mesmo naqueles programas considerados jornalísticos. Para muitos executivos da área de marketing, esse é um dos principais fatores que emperram novos investimentos das empresas. A maioria defende que, enquanto a mídia (que costuma não ter a mesma linha quando transmitem eventos internacionais, com exceção da Globo mesmo) não mudar seu comportamento, os investimentos continuarão minguados por aqui.
O blog entrevistou Marcelo Campos Pinto, diretor-geral da Globo Esportes, unidade de negócios criada em 1999 para produzir, comprar e vender eventos esportivos. Ele explica o porque dessa política comercial da empresa.
Por que a emissora não fala os nomes dos patrocinadores durante as transmissões? Sem a participação deles os times tendem a ficar mais fracos e o espetáculo menos atraente, não é?
Essa é uma política comercial estabelecida pela Rede Globo há muitos e muitos anos: não mencionar o nome de patrocinadores de competições, nem de clubes. Porque, na realidade, isso tem valor comercial. Hoje temos uma série de receitas publicitárias que são feitas através de merchandising no programas, como nas novelas. Dizer, gratuitamente, um nome de um patrocinador de um clube seria o equivalente a um merchandising. E isso não seria justo com os demais clientes da Globo, que pagam por essas ações. Enquanto essa política comercial for assim, eu não vejo como falar um nome de um time ou competição.
Acredita que esse fator pode ter sido determinante, por exemplo, no caso do Finasa Osasco?
Não acredito, não acredito. Até porque a gente já transmite a Superliga há dois anos e isso não havia ocorrido isso. Certamente outros devem ter sido os motivos que levaram a instituição a retirar o patrocínio. Temos uma crise mundial. Todo mundo está perdendo patrocínio no mundo inteiro, mesmo na Inglaterra, onde os grandes clubes de futebol estão perdendo patrocínio ou sendo renegociados por valores menores. Por isso, acho que é mais um reflexo da crise batendo nas portas do marketing esportivo do qualquer outra coisa.
Mas as empresas e agências de marketing já batem nessa tecla há tempos, mesmo antes da crise…
O problema já existia antes da crise, mas nós transmitimos e nunca ninguém reclamou de nada. A minha leitura é a crise chegando ao marketing esportivo.
Existe alguma chance dessa política comercial mudar?
Por enquanto não tem nenhuma discussão interna sobre esse assunto.”
Forte abraço,
Carlos Nogueira.
comentou em 29/04/2009, às 17:07
Teve um time de futsal do Fluminense, que a Malwee na época cedeu para termos por um campeonato, que era a base da seleção brasileira, com Manoel Tobias, mas perdemos na final. Se não me engano, foi em 2002, no ano do centenário.
comentou em 29/04/2009, às 17:23
Esse é um problema comercial e como tal tem de ser resolvido. Quando a Globo (ou qq outra emissora) for fechar contrato com seus anunciantes, deve colocar nesses contratos que os nomes das empresas patrocinadoras dos clubes será falado e mostrado no ar. E quando for fechar contrato com os clubes e as federações,as emissoras devem deixar claro e por escrito que os nomes serão falados e mostrados. O resto é combinar preço para um lado e para o outro. E deixar de frescura.
comentou em 29/04/2009, às 19:15
Parabéns pelo post! É por isso q eu confio na Flusócio: o grupo é formado por pessoas pensantes com uma preocupação estruturalista. Pensam grande e de maneira sempre técnica e profissional.
comentou em 30/04/2009, às 6:55
Excelente post. Aliás, acredito que o Fluminense deveria buscar parceiros visando o incremento dos esportes olímpicos. Principalmente o vôlei, esporte em que temos muita TRADIÇÃO. Um projeto destes somente pode atrair mídia positiva para nosso clube, expor nossa marca e formar novos torcedores.
PS: Tenho o sonho de um dia ver minha filha envergando nosso manto.
comentou em 30/04/2009, às 8:06
Post muito bem colocado. Isso vai ser sempre um tabu para a mídia.
comentou em 30/04/2009, às 10:42
Lucas,
Esse parceiro poderia ser a própria Unimed, que quer investir nos esportes olímpicos do Botafogo.
comentou em 30/04/2009, às 18:14
Triste que o post sobre a maior glória desportiva do nosso clube, do Brasil e até mesmo do Mundo tenha se desviado no caminho alfinetar a imprensa através do caso do voleibol feminino e da equipe patrocinada pelo Finasa, sediada em Osasco.
Muito já se falou neste espaço sobre as glórias do passado, e a necessidade de serem reconhecidas nos dias de hoje, bem como a necessidade de reconhecer nossos ídolos do passado. Eis que surge uma data única. Única para o esporte mundial, pois foi há 60 anos que um clube de futebol ganhou pela única vez uma comenda criada pelo Barão de Coubertin, idealizador máximo dos (hoje desvirtuados) Jogos Olímpicos modernos!!!
Eu, enquanto torcedor, ex-atleta federado de natação e pólo aquático do clube, e sócio deste, me orgulho muito desta comenda.
Ponto para a nossa diretoria de caráter duvidoso e nosso falido conselho, que aprovaram a colocação da taça na nossa camisa oficial.
Reconhecer os patrocinadores pode até ser importante para o esporte profissional de hoje em dia. Mas reconhecer uma conquista desta magnitude, quando o esporte ia muito além de fama, marcas e cifra é fazer um bem para a alma do esporte mundial.
Viva o Fluminense Football Club, detentor da Taça Olímpica de 1949!
comentou em 30/04/2009, às 22:07
Infelizmente, o nível da imprensa é semelhante ao do congresso nacional.
comentou em 2/05/2009, às 8:26
Gosto muito dos posts da FluSócio que abordam a atividade dos meios de comunicação. De forma subreptícia e indireta eles acabam por ter grande responsabilidade nos efeitos finais, como bem demonstrado, sem que fique clara sua parcela de culpa.
Nem sempre os interesses do marketing de clubes e empresas são correspondentes aos da grande mídia. É importante apontar essa assimetria e mostrar que, nessa quebra de braço, os meios de comunicação têm mais poder no final.