Uma ressalva que o Wilton merece
Publicado em 15.12.2009.
Por Flusócio

Como já é de conhecimento da torcida tricolor, no último domingo faleceu na cidade de Volta Redonda o ex-ponta direita Wilton. A grande maioria das notas de jornais e sites esportivos, inclusive o próprio site oficial do Fluminense, basicamente se limitou a informar que o jogador fez um gol de mão num Fla-Flu de 1968. Lamentamos e entendemos que o jogador merece ser lembrado por muito mais que isso.
Wilton César Xavier nasceu em Belo Horizonte no dia 13/10/1947. Tinha 62 anos, portanto. Jogou por dez anos no Fluminense, oito deles nos profissionais, entre 1967 e 1975. Ao todo foram 193 jogos e 18 gols pelo tricolor. Revezando com Cafuringa na ponta direita (mais ou menos como Tato e Paulinho faziam pela esquerda no tri-campeonato dos anos 80), ele conquistou o título brasileiro de 1970, os estaduais de 1969 e 1971, e as Taças Guanabara também de 1969 e 1971. Cabe salientar que na época a Taça Guanabara não era um simples turno do campeonato estadual, e sim uma competição à parte.
Em 1972, esteve emprestado ao São Paulo. Voltou em 1973 para ajudar, já como reserva, jogando um pouco menos, na conquista do título estadual daquele ano. Em sequida, foi novamente emprestado, dessa vez ao Santa Cruz. Voltou ao Fluminense pela última vez em 1975, quando, novamente como reserva, mas participando de alguns jogos, conquistou com a máquina de Rivellino e cia mais um título estadual.
Foram, então, nada menos que sete títulos importantes que o Fluminense conquistou com a participação de Wilton.
Sim, Wilton fez um gol irregular em um Fla-Flu no ano de 1968, como todos gostam de lembrar. Cabe apenas a explicação de que não foi um gol de mão, como reza a lenda. Na verdade, Wilton desviou a bola com a mão, tirando o goleiro Marco Aurélio da jogada, e então concluiu para o gol vazio. Existe ainda uma versão mais folclórica sobre esse fato, dando conta que teria sido o gol de um título. Não foi! Este jogo, que o Fluminense venceu por 1×0, valeu pela primeira fase do “Robertão” (ou Campeonato Brasileiro, se preferirem) de 1968, e tanto Fluminense quanto Flamengo fizeram campanhas ruins, passando longe da classificação para a fase final.
Preferimos lembrar o gol de Wilton no Fla-Flu do ano seguinte. O que abriu caminho para a vitória na decisão do campeonato de 1969, jogo que o Fluminense venceu por 3×2 diante de nada menos que 171.599 pagantes. Um dos jogos mais marcantes da história do campeonato carioca e que rendeu uma antológica crônica de Nelson Rodrigues. Aquela que começa por “Amigos, a humildade acaba aqui….”, e muitos tricolores sabem de cor.
Wilton não foi o “jogador que fez um gol de mão no Flamengo”. Foi um jogador com passagem longa, marcante e vencedora pelas fileiras tricolores. Mais um que nos deixa, mas fica para sempre em nossa galeria de heróis. Está feita a ressalva.
Retornar à Página Inicial
comentou em 15/12/2009, às 14:01
Pois é, o Júnior não é “o jogador que deu uma cabeçada no árbitro”, o Zico não é “o jogador que desperdiçou pênalti decisivo em Copa do Mundo”, Bebeto não é “o chorão que levou tapa do treinador no vestiário”, Maurício não é “o atacante que fez falta no zagueiro antes de marcar o gol do titulo”, Túlio não é o “atacante que matou a bola no braço para marcar um gol pela seleção” nem “o que fez o gol do título em impedimento”.
comentou em 15/12/2009, às 14:08
Wilton (Cafuringa), Flávio, Samarone e Lula.
Um dos melhores ataques da história do Fluminense.
Obrigado, Wilton,pelas grandes alegrias que você nos proporcionou.
comentou em 15/12/2009, às 14:09
Parabéns Flusócio pela contribuição no esclarecimento dos fatos e pela informação da participação na passagem de mais um grande jogador pelo elenco do Fluminense.
Saudações tricolores,
Carlos
comentou em 15/12/2009, às 14:17
Este foi um dos textos mais lúcidos e justos que já li sobre futebol nos últimos tempos. Fiel aos fatos, preciso, irreparável. Wilton estará na história do Fluminense eternamente.
comentou em 15/12/2009, às 14:19
“jogador que fez um gol de mão no Flamengo” é a descrição do Wilton pela perspectivas dos urubus.
comentou em 15/12/2009, às 14:19
‘..infeliz o clube que não cultiva santas nostalgias..’ Não era assim? Descanse em paz, Campeão!
comentou em 15/12/2009, às 14:27
Bem lembrado! Náo para mim que jamais o esqueceria, mas, para a imprensa, que náo se dá ao trabalho e nem quer se lembrar de fatos positivos referentes ao tricolor.
comentou em 15/12/2009, às 14:29
Wilton era jogador do time do Flu na época em que comecei minha vida de apaixonado por esse clube. Junto com Félix, Oliveira, Assis, Marco Antônio, Denílson, Cafuringa, Samarone, Lula e outros mais, deu-nos muitas alegrias naquelas tardes de domingo do fim dos anos 60, início dos 70, com os jogos às 17 hs ou 17:15 hs.
Wilton era um ponta baixinho, veloz, habilidoso. Eu era bem moleque na época, mas, por sorte, meu pai, infelizmente já falecido, mas também apixonado pelo Flu, me levava para ver tudo, proporcionando-me enorme prazer em poder ter acompanhado aquele time, estando presente naquela final de 1969 mencionada no post, quando, com os gols dele, Wilton, depois Cláudio e, finalizando, Flávio, derrotamos o Flamengo por 3 x 2, tendo marcado pelo Fla Liminha e Dionísio, que depois veio a ser campeão pelo Flu em 73. Na época, a torcida gritava nas arquibancadas: “É ou não é, piada de salão, quem disse o Urubu, querer ser campeão”. Outros tempos, quase 180.000 pessoas no Maraca e um Flu absolutamente maioral aqui no Rio de Janeiro, com os outros alguns degraus abaixo de nós. Vamos lutar para reconquistarmos isso !!!!!
comentou em 15/12/2009, às 14:30
no video do nelson rodrigues e do 3a2 mostra o ultimo gol e todos os jogadores do flamengo vao reclamar com o juiz
comentou em 15/12/2009, às 15:25
Obrigado Flusócio pela ressalva! Já espalhei esse texto pra tudo que é canto!!! Saudações tricolores.
comentou em 15/12/2009, às 15:30
É impressionante como conseguem desvalorizar um jogador tão importante e reduzir sua participação a um gol de mão.
E o site oficial do Flu vai na onda… Meu Deus.
comentou em 15/12/2009, às 15:42
Oportuna intervenção, em defesa da memória do nosso TRICOLOR.
Parabéns pelo post, muito feliz a homenagem.
Precisamos proteger nosso patrimônio, nossa tradição esportiva, nossos ídolos, nossos atletas, nossa torcida, nossos valores comuns!
Precisamos valorizar a nossa história!
Tudo isso fortalece a nossa imagem.
Saudações Tricolores!!!
comentou em 15/12/2009, às 15:59
Desculpem o OFF-TOPIC, mas é
SEN-SA-CIO-NAL
Esse é o grande Fla que a mídia vende …
CONVERSA ABERTA ENTRE PAI E FILHO SOBRE FUTEBOL….
- FILHO:
- Pai, por que o senhor sempre fala que eu tenho que ser Flamenguista?
- PAI:
- Porque o Flamengo é o melhor time e também aquele que tem a maior
torcida do mundo, meu filho!
- FILHO:
- Isso é legal né pai! Mas acho que não entendi bem…A Índia e a China
são os países mais populosos do planeta, cada um com mais de 1 bilhão
de habitantes, eles também jogam futebol e ninguém por lá sabe o que é
o Flamengo. Será que somos mesmo a maior torcida do mundo?
- PAI:
- Esses caras não entendem de futebol, por isso não torcem pelo Flamengo…
- FILHO:
- Tá, mas outros países que entendem de futebol, como a Argentina,
Uruguai, Espanha e Itália têm clubes com muito mais títulos
internacionais (Libertadores e Mundiais) do que o Flamengo.
Será que somos mesmo os melhores do mundo?
- PAI:
- E daí! O futebol brasileiro é o que importa, meu filho! Porque nossa
seleção é a única pentacampeã mundial!
- FILHO:
- Bom, nesse caso imagino então que o Flamengo seja o time que mais
forneceu jogadores pras seleções brasileiras em Copas do Mundo, né!
- PAI:
- Na verdade, o time que mais cedeu jogadores pras seleções
brasileiras em Copas do Mundo é o Botafogo, seguido do São Paulo,
depois do Vasco e o Corinthians ….. ah, deixa pra lá, garoto! O que
importa não é a quantidade, mas a qualidade do jogadores cedidos! Nós
tivemos craques do nível do Zico, Júnior e Leandro vestindo a camisa
canarinho!
- FILHO:
- Legal! E quantas Copas eles ganharam?
- PAI:
- Esses jogadores?…. Nenhuma…. Mas e daí! o teu professor não
ensinou que ‘o importante é competir’?
- FILHO:
- Sim, mas eu só estava tentando entender…. melhor esquecer esse
negócio megalomaníaco de melhor do mundo e me diz aí: quando tinha sido o nosso
último título brasileiro?
- PAI:
- Foi em 1992, com um timaço!
- FILHO:
- Pô!, mas faz tanto tempo assim? Já Tenho 13 anos, e já faz mais de 15
que o Flamengo havia ganhado o último título brasileiro?
- PAI:
- É meu filho, mas somos do time mais vezes campeão brasileiro!! Seis!!
- FILHO:
- Mas para a CBF, que é o Órgão Oficial de Futebol no Brasil, o
campeão brasileiro de 1987 foi o Sport Recife e não o Flamengo, não é
verdade?
- PAI:
-Sim, pentelho, mas nós, da torcida rubro-negra, consideramos que é o
Flamengo!
- FILHO:
- Mas quem representou o Brasil na Libertadores de 1988 foi o Sport…
- PAI:
- Mais ou menos, porra!
- FILHO:
- Calma pai, o senhor está bravo só porque o Flamengo não é bem isso
que o senhor pensava?
- PAI:
- Pára com isso filho! Nós já fomos campeões mundiais!!!
- FILHO:
- Sério Pai!? Quando?
- PAI:
- Em 1981, no Japão.
- FILHO:
- Já existia televisão nessa época, pro senhor ver o jogo?
- PAI:
- Claro, porra!
- FILHO:
Que legal, então nós também ganhamos a Libertadores em 81?
- PAI:
- Sim, filhão!!!!
- FILHO:
- É verdade que ganhamos a Libertadores sem enfrentar nenhum time
argentino nem uruguaio?
- PAI:
- Sim, e daí?
- FILHO:
- E daí que esses são países de tradição no futebol sul-americano. Sem
enfrentar argentinos ou uruguaios a competição ficou muito mais fácil
de ser ganha…
- PAI:
- Tá, mas ganhamos do Cerro Portenho, Deportivo Cali, Jorge Wilstermann
e Cobreloa.
- FILHO:
- Caramba! algum desses times já foi campeão da Libertadores, Sul
Americana, Mercosul, Recopa, Supercopa, Conmebol ou alguma coisa de
expressão internacional?
- PAI:
- Não filho…. quer dizer, sei lá! mas que merda!!!!
- FILHO:
- É verdade que os únicos times conhecidos contra os quais Flamengo
jogou naquela Libertadores – Atlético Mineiro e o Olímpia do
Paraguai-não conseguimos vencer nenhuma vezinha sequer?
- PAI:
- É.. foram empates…
- FILHO:
- E também é verdade que passamos da primeira fase após aquela
confusão na qual o Atlético Mineiro teve metade do time expulso pelo
juiz supostamente comprado… e o jogo terminou com a vitória magra do
Flamengo por falta de jogador adversário e não teve jogo extra como
mandava a regra?
- PAI:
- Azar do Atlético….
- FILHO:
- Pai, também é verdade que se o crítério de gols feito fora de casa
(que vale o dobro na Libertadores) fosse mantido também na final que
fizemos com o Cobreloa, não teríamos sido os campeões, porque eles
meteram um gol no Maracanã e nós passamos em branco lá no Chile?
- PAI:
- É mas, pra nossa sorte, só na final esse critério muda…
- FILHO:
- Sei não pai, chegamos aos trancos e barrancos na final e também não
pegamos nenhum time Argentino ou uruguaio pelo caminho, assim ficou
fácil demais!
- PAI:
- Porra, moleque. Tá de sacanagem com a minha cara?
- FILHO:
- Não, só estou querendo saber.. Se o fato de não termos enfrentado
nenhum time de expressão não fez nenhuma diferença, como fomos, então,
nas outras NOVE vezes em que participamos na Libertadores?
- PAI:
- Bom, nós fomos eliminados nas primeiras fases em todas as vezes,
quase sempre por times argentinos ou uruguaios… Mas isso não
importa! O que importa é o título!
- FILHO:
- Eu achava que o senhor pensava que o importante era competir….
- PAI:
- Que nada! Isso é baboseira de Vascaíno que só sabe ser vice!
- FILHO:
Mas pai, eu li num livro que o Flamengo é o time do Rio que mais tem
vice-campeonatos em sua história, são 33 vices contra 27 do Vasco!
Está no livro ‘Os 10 Mais’, de André Alzer e Mariana Claudino, Editora Agir
- PAI: Já falei pra você parar de ler livros! Isso não combina com ser
flamenguista!
- FILHO:
- O que é isso pai! Eu só acho errado ficar menosprezando vice
campeonatos, até porque às vezes acho tudo meio injusto. Veja agora, o
Fluminense jogou 4 vezes com a LDU na Libertadores, ganhou duas,
empatou uma e perdeu somente uma vez… O senhor achou justo a LDU ter
sido campeão? E se critério de gols fora de casa não mudasse na final
o título seria do Fluminense…
- PAI:
- Eu não quero saber do Fluminense!
- FILHO:
- É mas eu vi o senhor sacaneando um tricolor por causa da LDU….Mas
pra mim, nessa Libertadores, a vergonha do Flamengo foi muito maior,
afinal perdemos em casa diante da nossa torcida pra um timeco
mexicano, tomando gols de uma cara que tem a barriga maior do que a
sua…
O Fluminense ao menos ganhou todas em casa, ficou em primeiro lugar na
fase classificatória (apesar de estar no grupo da morte), despachou
times de tradição na competição (Boca, São Paulo, Arsenal, Libertad) e
ainda trouxe a grande final pro Maracanã (coisa que ninguém tinha
conseguido fazer na história do nosso maior estádio).
- PAI:
- Já falei que não quero saber do Fluminense!!!!!!!!
- FILHO:
-Calma paizinho. Vamos passear então, me leva ao estádio do Flamengo.
PAI (chorando):
- Não temos estádio porra! Temos uma sede num terreno alugado pela
prefeitura do Rio com um campo de treinamento e uma piscina muito mal
conservada.
- FILHO: (puto da vida):
- Chega pai! Assim não dá. Não temos estádio, não temos a maior torcida
nem o melhor time, nosso título mais comemorado é um mundial há quase
30 anos, que conseguimos graças à falta de argentinos e uruguaios e
não éramos campeões brasileiros há 20 anos…
- PAI – ( um minuto de silêncio):
- É.. mas neste ano nós passamos o Fluminense e nos tornamos o
time com mais títulos cariocas!!
- FILHO:
- Mas pai, isso só é possível porque nos consideramos duas vezes
campeões em um mesmo ano (1979)! E ultimamente dizem que andamos
comprando juízes e ganhando dos adversários de forma vergonhosa – como
foi contra o Botafogo nesse ano e ano passado.
PAI – Sim, pode ser, e… bem, o que importa é que somos campeões brasileiros de 2009 e esse foi um título com muito suor e amor à camisa
FILHO – Mas pai, nos últimos jogos foi mais teatro que jogo, pois o Corinthians e o Grêmio não jogaram para vencer e aí ficou fácil.
FILHO – Pai, e tem mais. Ganhamos como a torcida de ouro,mas graças à pressão da Globo e da CBF, porque todos sabem que o título ia para torcida do Fluminense que, cá entre nós, foi muito mais importante esse ano do que a nossa. Aliás, se a nossa torcida fosse de ouro mesmo, a gente elegeria o Pet como o craque do campeonato. Mas quem ganhou foi o Conca. Mais uma vez do Fluminense.
- PAI:
- Seu filho da puta!! filho dum corno!!! Tá de castigo!!!
comentou em 15/12/2009, às 16:20
Parabéns pelo post.
O Flu vai voltar a ser o gigante que fomos um dia, como na época do Wilton.
Assim como precisamos construir um futuro, é fundamental resgatarmos o nosso passado pra contar para nossos filhos e netos.
Dessa forma, seremos Fluminense, ontem, hoje e amanhã.
comentou em 15/12/2009, às 16:32
descanse em paz Wilton.
Não o vi jogar mas sou grato pelo seu legado.
saudações tricolores
comentou em 15/12/2009, às 16:52
O Wilton tá igualzinho ao Edmilson (zagueiro do Palmeiras q foi campeao da Copa de 2002) nessa foto…
comentou em 15/12/2009, às 16:59
Lauro, o site não vai na onda não, passa lá e você vai ver o contrário.
ST
comentou em 15/12/2009, às 17:01
achei essa matéria do nosso site muito boa.
ST
Jeferson
Material de motivação transformou o Flu em um “Time de Guerreiros”
“Quanto mais nos criticavam e diziam que cairíamos para a segunda divisão, mais nos davam força para vencer e superar o que parecia impossível”. A afirmação do auxiliar técnico Eudes Pedro sintetiza bem o espírito passado da comissão técnica aos jogadores do Fluminense na reta final do Campeonato Brasileiro. A equipe formada pelo técnico Cuca, Eudes e Cuquinha assumiu o Fluminense no dia 6 de setembro e comandou uma arrancada heróica. Além dos treinamentos técnicos e táticos, o trio elaborou um material motivacional fundamental para resgatar a autoconfiança dos jogadores, melhorando o rendimento individual de cada um.
O famoso apelido “Time de Guerreiros”, entoado pelos tricolores ao final de cada jogo, foi criado pela própria comissão técnica na palestra antes da partida contra o Náutico, a primeira sob o comando de Cuca. Na ocasião, Eudes elaborou um vídeo com grandes lances dos jogadores e gols. O objetivo foi mostrar que a equipe era capaz de muito mais. O argentino Darío Conca teve a oportunidade de rever golaços com a camisa tricolor na Libertadores do ano anterior. Já Roni e Paulo César, por exemplo, fizeram uma viagem no tempo e relembraram grandes jogos em suas primeiras passagens pelo clube. Na ocasião, o resultado não foi confirmado em campo e o time amargou um empate em 1 a 1 no Maracanã, se complicando ainda mais na luta para se livrar do rebaixamento.
Mas Eudes explica que a semente estava sendo plantada e, aos poucos, passaram a unir o passado e o presente, percebendo que poderiam render muito mais. Os números, até então completamente desmotivadores, foram sempre utilizados pelo auxiliar para incitar os jogadores a reagir dentro de campo diante de tantas críticas. Em um trabalho árduo, o auxiliar reuniu todas as matérias e entrevistas com depoimentos de pessoas que não acreditavam na reação para instigar o grupo a provar o contrário.
“Através de vídeos resgatamos a autoestima. Se eles sempre renderam, por que estavam cabisbaixos? As imagens mostravam que eles poderiam dar mais e os números os instigavam a isso. O principal foi justamente acertar o aspecto psicológico. A partir daí foram se motivando e acreditando que era possível”, explica Eudes.
Enquanto Cuca comandava os treinos, ajustando o aspecto tático, o preparador físico Ronaldo Torres aprimorava o vigor físico, o auxiliar Cuquinha conversava individualmente com os jogadores para entender as particularidades de cada um e elaborava um diagnóstico do grupo. Já Eudes, além de ajudar dentro de campo, utilizou todas as horas vagas para reunir material, entrevistas, vídeos, depoimentos dos familiares, imagens e mensagens da torcida. Feito isto, tudo foi editado e as preleções, montadas. A reunião do trabalho do trio, junto com o de Ronaldo Torres, foi responsável pela brilhante arrancada e aos poucos os números passaram a jogar a favor do Fluminense, passando ainda mais confiança ao grupo. Em 24 jogos sob o comando de Cuca, o time venceu 13 vezes, empatou 8 e perdeu apenas 3.
Além de motivar os jogadores antes dos jogos, Eudes também antecipava o que o grupo encontraria de dificuldades na casa dos adversários. Contra o Coritiba, por exemplo, os slides apresentados na preleção reuniram também toda a campanha realizada pela torcida do Coxa, que prometia um “Inferno Verde” na última rodada do Brasileirão.
“A nossa preocupação era prepará-los para todas as dificuldades que encontraríamos em nosso caminho. Assim eles não foram pegos de surpresa e conseguiram superá-las, alcançando o objetivo final”, avaliou.
Depois de tanta dificuldade, Eudes ainda não conseguiu descansar. De férias, a cabeça do auxiliar não conseguiu parar de trabalhar e, agora que o maior objetivo foi alcançado, ele admite que apenas em um momento de toda a trajetória chegou a achar que não conseguiria a permanência na série A do Brasileiro.
“Me bateu uma fraqueza depois do jogo com o Grêmio. Ao perdermos por 5 a 1 fiquei cinco minutos sozinho e cheguei a temer, mas logo mudei o discurso. No vestiário disse aos jogadores que o Grêmio não tinha sofrido nenhuma derrota em casa e só perdemos com um placar tão elástico porque tínhamos buscado o ataque”, recorda.
Sempre com o sorriso no rosto, o baixinho autodidata aprendeu a editar os vídeos sozinho, em 2001, quando trabalhava no Atlético-PR, com o treinador Geninho. Desde que passou a elaborar os materiais motivacionais se tornou ainda mais otimista e é peça fundamental no vestiário. Seja antes, no intervalo ou após os jogos, Eudes Pedro trabalha para colocar a cabeça dos jogadores no lugar.
“Contra o Sport, por exemplo, estava o maior baixo astral no vestiário. Tinhamos vencido, mas continuávamos na zona de rebaixamento com a vitória do Botafogo sobre o São Paulo. Entrei no vestiário gritando, junto com o preparador de goleiros Victor Hugo, ressaltando que estávamos perto do nosso objetivo. Essa atitude foi importante e motivou o grupo, que logo depois voltou a ficar otimista”, contou.
Em 18 anos de carreira, Eudes nunca viu apoio igual ao da torcida do Fluminense e fez questão de agradecer o carinho e apoio, principalmente pelo envio de mensagens antes do segundo jogo contra a LDU.
“Nunca vi um apoio igual ao dos tricolores. Foi impressionante e tornou o meu trabalho até mais fácil. Não faltavam mensagens de incentivo e vídeos pela internet ajudando o nosso trabalho. Antes do jogo contra a LDU fiquei mais de oito horas seguidas lendo os emails enviados ao site oficial do Fluminense e fiquei realmente emocionado”, elogiou.
Eudes não consegue parar e, enquanto conversava com o site oficial do Fluminense, em uma cafeteria na zona sul do Rio de Janeiro, já aproveitava para observar os sites, clicava no noticiário sobre o Fluminense e o olhar logo ficava distante. Provavelmente ideias já começaram a surgir para 2010.
Paola Antunes
comentou em 15/12/2009, às 17:06
OBS: “espalhei esse texto pra tudo que é canto” – citando a fonte, obviamente.
Saudações tricolores.
comentou em 15/12/2009, às 17:09
E quando o Ricardo Teixeira pediu o hepta para a Patricia Amorim, o comentario dos jornalistas da CBN, em vez de destacar o absurdo do pedido feito por um presidente de confederacao, deduzia apenas que ele entao admitia o hexa. Ou seja, para esta imprensa, o framengo eh a medida de todas as coisas.
Meu desagravo ao Wilton!
comentou em 15/12/2009, às 17:39
Parabéns, Flusócio! Resgatar a história também é tarefa de quem pretende dirigir o clube. Espetacular o texto e a lembrança de um grande ídolo Tricolor!
comentou em 15/12/2009, às 17:47
Wilton – baixinho, veloz, ensaboado como se diz hoje, e fazia gols também, grande jogador, que descanse em paz.
Lamentavelmente hoje os jornalistas não fazem matérias, só reproduzem “realises”.
comentou em 15/12/2009, às 17:50
Não aguento mais a fla-press, a Globo.
Eles são incansáveis em denegrir a imagem do FFC, e o problema é que a maioria, só tem opinião formada baseada no que lê e vê nestas porcarias!!!
Nós, tricolores de coração, não podemos deixar isso acontecer calados!!!
Façamos a nossa parte de sempre buscar a verdade, que geralmente é mais digna no Flu, e propagar sempre a verdade e não as distorções da mídia dos torcedores remunerados, a rapaziada das colunas de jornal, tá na área, arena e cia…!!!
Parabéns Flusócio, vcs fazem melhor do que no site oficial!!!
Sds 3!!!
comentou em 15/12/2009, às 18:18
Dois comentários:
1 – Excelente o texto, porque colocaram o Wilton como sendo um daqueles jogadores cometas, que aparecem, todo mundo olha e depois somem, e ele não foi somente o cara que fez aquele gol. Ele contribuiu demais com o Fluminense, como o texto desse post muito bem esclareceu.
2 – Pena mesmo é que esse gol impedido e tirando o goleiro com a mão não foi o de um título, porque aí a mulambada ia ficar doida! Ter que aturar esse gol e mais o de barriga! Ia ser dose!
comentou em 15/12/2009, às 18:27
Antecipei a renovação do Cuca e a permanência do Branco ontem… no post da “Geni”.
É claro que sobre a permanência do Branco de forma bem conveniente não será feito muito alarde…
Incrível que tinha site ontem a tarde garantindo que o Branco estava fora…
E falei que sobre o Julio Cesar poderia ter novidade a qualquer momento (e a novidade veio com a entrevista do Tenório). Afirmei que o mais provável era que a negociação se estendesse por alguns dias…
Por enquanto estou 100%…
Quem quiser confira lá no post da “Geni”.
comentou em 15/12/2009, às 18:30
Ah…
Como eu disse já teria ido correndo, estilo Usain Bolt, pra contratar o Julio cesar Cáceres do Boca e da seleção paraguaia.
Não existe no mundo inteiro um jogador desse nível tão fácil de ser contratado.
É o líder ideal pra nossa zaga e pra ser nosso zagueiro da sobra.
comentou em 15/12/2009, às 18:31
PS: Dedé, Vera vai continuar na LDU… nosso sonho terá que ser adiado.
comentou em 15/12/2009, às 18:50
Post fantástico, reparando uma tradicional injusta que a imprensa esportiva costuma cometer ao rotular certos jogadores ou lances eternamente. O site oficial do FFC deveria copiar e colar o texto.
comentou em 15/12/2009, às 19:18
A forma como foi noticiada a morte do Wilton demonstra o despreparo de grande parte da imprensa esportiva, que muitas vezes copia as notícias com fatos errôneos uns dos outros.
Tanto Lancenet como no Globoesporte a notícia saiu realmente como se o “gol de mão” que na verdade não foi de mão, definisse a carreira de Wilton, o que é lamentável.
comentou em 15/12/2009, às 19:24
Descanse em paz, grande campeão!
Que o registro de seus atos pelo Flu sejam os narrados neste post, e não o medíocre “atleta que fez o gol com a mão em fla-FLUs”, que é o registro do Wilton na ótica dos urubus.
Mais uma vez a Flusócio ensina ao site oficial do FFC.
comentou em 15/12/2009, às 19:26
Wilton valeu por tudo o que você fez honrando a camisa tricolor.
Muinto obrigado.
Saudaçoes tricolores
comentou em 15/12/2009, às 19:32
Como faz diferença ouvir a história do Flu contada por tricolores! Parabéns pelo post. Muito bacana! A internet tem esse lado fantástico. Depois dela, não dependemos mais de uns poucos para obter informações! Isso é particularmente importante quando esses poucos são inescrupulosos e/ou parciais.
comentou em 15/12/2009, às 19:41
Caro Thiago Reis,
Quais serao as proximas novidades? Tambem concordo que o Caceres e o Batalla seriam grandes reforcos. O problema fica com a limitacao do estrangeiros a serem escalados…
comentou em 15/12/2009, às 19:44
Voltando a um tema chato… E’ revoltante ver aquele timeco mediocre do Estudiantes de La Plata, com forncedor de Camisa sendo a Topper (deve ter uma folha salaria de R$ 500.000,00/ mes) jogando a final do Mundial de Clubes. Enquanto isso, nossa maquina em 2008 ficou na Trave.
Nosso time atual daria um sacode facil nesse time Argentino.
comentou em 15/12/2009, às 19:47
171.599 pagantes na final do campeonato de 1969.
Realmente eram outros tempos. Tenho certeza que em outra encarnação, se eu fosse vivo nessa época, também era Tricolor e devo ter ficado em extase com esse jogo.
Mais informações no link abaixo, inclusive com o texto do Nelson:
http://jornalheiros.blogspot.com/2009/06/recordar-e-viver-o-fla-flu-de-1969.html
STs
comentou em 15/12/2009, às 19:59
Marcus Richezza,
Eu não ficaria nem um pouco triste se o Urrútia voltasse pra LDU… vc ficaria??
Pra mim o Cáceres contribuiria muito mais.
comentou em 15/12/2009, às 20:05
Qunto às novidades… eu não tenho bola de cristal… as coisas precisam acontecer primeiro… rsrsrsrsrsrs
Mas a renovação do Mariano está prestes a acontecer. Só que isso não é mais novidade pra ninguém…
E é impressionante como a imprensa solta balões de ensaio né??
Poucas horas depois da renovação do Cuca já meteram Diego Souza, dagoberto… que viagem…
Essa do Nei eu acho que é uma ótima opção, até pq tem características diferentes do Mariano (marca bem, pode até jogar de zagueiro)… apesar de que ele estaria praticamente no Inter…
comentou em 15/12/2009, às 20:33
Thiago,
Concordo que o Urritia seria totalmente dispensavel. Quero mais que ele volta para aquela M… da LDU.
Mas, pensando em jogadores sulamericanos:
1) Seria interessante dar uma olhada em alguns jogadores do Banfield.
2)Me lembro que no proprio Cerro porteno o Goleiro dos Caras era espetacular(melhor que o Rafael, apesar de baixo) e havia um meia direita que jogava bem.
3) Nesse Estudiantes tem um Lateral direito que tb joga muito.
Seria bom que a CBF acabasse com esse Limitacao de 3 gringos do Mercosul, pois tratam-se de jogadores bem menos inflacionados que o do Mercado Interno brasileiro.
Mas, no mercado interno: Concordo que esse Nei seria uma otima pedida muito bom Jogador. Diego (apesar de traidor) e Dagoberto seriam otimos. Mas, talvez muito caros.
ST
comentou em 15/12/2009, às 21:01
Gostei da entrevista do Tenorio no Lance…sobre CT…
SE for verdqde e o gramado das laranjeiras ficar esse brinco… ja da um animo….
poderiam usar a parte de baixo das arquibancadas e construir um vestiario de primeira linha…. e uma academia grande!!!
comentou em 15/12/2009, às 21:33
Cáceres é uma ótima.
comentou em 15/12/2009, às 21:42
Bom ver um relato mais fiel da história do Wilton pelo Fluminense. Já havia lido muita besteira, inclusive reportagem no Lance, dizendo que era gol de título… Realmente, esse pessoal não sabe nem o que era o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, muito menos sabem que desde 68 tinha características de Brasileirão.
O site fluzão.info ajuda sempre nessas horas, é um site sensacional.
ST.
comentou em 15/12/2009, às 22:10
Tenho um arquivo onde procuro anotar a data de nascimento e de falecimento de antigos jogadores e este site foi o único a citar a data de nascimento do Wilton. A nossa imprensa está cada vez mais preguisosa e é incapaz de fazer um trabalho de pesquisa sério com um jogador que teve uma carreira brilhante não só como jogador mas também como técnico no Volta Redonda.
Parabéns!
comentou em 15/12/2009, às 23:33
A imprensa esportiva, guardadas as honrosas exceções, é altamente desqualificada. Profissionais de pouca cultura geral e sem visão crítica. Alguns, meio torcedores até, para embotar ainda mais o trabalho.
comentou em 15/12/2009, às 23:34
Marcus Richezza,
Desse time do Banfield eu gosto do zagueiro paraguaio de Vaca (já foi até comentado no Flu há alguns anos atrás), do Erviti (meia atacante habilidoso e baixinho… estilo parecido com o do Roger) e do Bilos(joga no ataque e no meio e apesar de gnadalhão é técnico).
Santiago “el tanque” Silva não… pelo amor de Deus…
Do Cerro eu não pegaria ninguém não… o meia que vc está falando se chama Cáceres, é jovem… mas como o Flu não tem mais vagas de estrangeiros…
E do Estudiantes pra mim o ponto forte é o meio de campo… gosto dos 4 (gosto do Veron mesmo andando em campo…). Eu gostava do atacante Fernandez que saiu…
E o lateral que vc está falando por acaso era o Angeleri??? Ele tb saiu mas nunca achei que jogava tudo isso não…
comentou em 15/12/2009, às 23:35
Pô galera não quero ficar tirando onda não…
Mas falei que o Nei estava indo pro Inter e menos de 2 horas depois apareceu declaração do empresário dele no Lancenet falando isso…
É só conferirem os horários…
comentou em 15/12/2009, às 23:59
E a Flapress não existe…
é realmente muito sutil pra alguns perceberem
hahaha
comentou em 16/12/2009, às 2:17
E o Coxa?!? Se lascou!!!
comentou em 16/12/2009, às 2:37
Que Deus o tenha um bom lugar grande Wilton que fez o gol da mão de Deus imitado por Maradona kkkkkk mas fora isso foi um grande jogador infelizmente é uma perda para o futebol tricolor mas virou uma lenda do Clube das Laranjeiras descanse em paz Wilton!
comentou em 16/12/2009, às 4:36
Wilton era o ponta direita do meu primeiro time de botão!
Parabéns à Flusócio pelo post que resgata a verdade sobre Wilton cuja passagem pelo futebol foi tão apequenada pela imbecilidade e má fé dos jornalistas.
SDS TRI
Cassio
comentou em 16/12/2009, às 9:29
O papo agora é de que o Flu está negociando com um volante gringo… e não é o Battaglia.
Consultei meus arquivos mentais e darei algumas sugestões.
Todos jogam como primeiros volantes e têm passe melhor do que o Diogo (o que não chega a ser uma tarefa difícil).
Vamos aos nomes:
- Sergio Aquino (30 anos): argentino naturalizado paraguaio. Joga há anos no Libertad ( participou pelo menos das últimas 4 Libertadores) e é frequentemente chamado pra seleção paraguaia. Passe de muita qualidade e chuta bem.
- Julio Marchant (completa 30 anos em janeiro): argentino revelado pelo Boca. Bastante rodado e experiente. Está no Banfield (atual campeão do Apertura 2009) e jogou a Libertadores desse ano pelo Defensor Sporting (URU) e chamou muito a minha atenção pela marcação.
- Rodrigo Braña (30 anos): argentino, joga no Estudiantes. É o cão de guarda da defesa. Típico volante argentino: baixinho, raçudo, mordedor… cascudo.
- Fabian Cubero (completa 31 anos agora em dezembro): argentino do Velez. Só tenho uma coisa a dizer: briga muito e chega junto (juntíssimo), tem gente que não gosta…
Todos são experientes e não estão em fim de carreira. Estão em plena atividade.
PS: Meu preferido, o paraguaio Vera da LDU, já acertou para jogar lá por mais 1 ano.
comentou em 16/12/2009, às 10:19
Excelente texto FluSócio. Muito importante levar ao conhecimento da torcida tricolor a verdade sobre a carreira de um atleta que defendeu as nossas cores.
Parabéns!
[]s e ST!
comentou em 16/12/2009, às 12:19
Caros,
Um breve depoimento; eu estava lá neste inesquecível FlaxFlu. Eu era pequeno e fui om meu irmão mais velho. Um detalhe importante sempre esuecido pela imprensa: a grande maioria da torcida do Flu NÃO comemorou o gol envergonhada (não com o Wilton mas com toda a situação). Nunca mais vi isso num jogo de futebol. Iamagina se fosse o contrário e o Fio metesse um gol de mão…
SDs tricolores
comentou em 19/12/2009, às 10:06
Ninguém melhor do que nós mesmos para preservamos os nossos ídolos e a nossa história. Parabéns pela postagem!