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4 de February de 2010

Suplementando o passado

ImagemOrçamento

Se não bastasse todas as inconsistências e falhas apontadas no orçamento para 2.010, uma pérola está em curso no Fluminense: a pedido do Conselho Diretor, corre uma solicitação de dotação extra para o exercício de … 2009!

É isso mesmo. O Conselho Fiscal pediu ao presidente do Conselho Deliberativo, através do Ofício CONFIS Nº 19/09, datado de 16/12/2009, autorização para que “as despesas excedam as dotações orçamentárias, em R$ 7.630.287,79″, apresentando um demonstrativo que evidenciaria os rombos havidos em novembro e dezembro de 2.009. A quebra de receitas montou em R$ 12.761.883,97 e “não há cobertura para essas despesas que, no entanto, podem ser atendidas com recursos de terceiros”.

Como anexo ao tal ofício, apresenta comentários a este pedido, elencando os motivos pelos quais as receitas foram insuficientes para cobrir as despesas. Claro que a receita com multas recisórias de atletas foi muito mais baixa do que se orçou (alguma semelhança com o orçamento de 2.010?), dentre outras. Pelo lado das despesas, R$ 8.277.000,00 foi o aumento em relação ao valor orçado, segundo o documento, por rescisões e contratações não previstas. Aí está o efeito patrimonial das contratações absurdas feitas durante o ano passado e as rescisões respectivas.

O presidente do Conselho Deliberativo, como manda o estatuto, nomeou comissão para analisar o pedido. Composta por cinco conselheiros, esta Comissão emitiu um parecer, no qual “após duas reuniões nos dias 07 e 11 de janeiro”, e “as análise de praxe da documentação que acompanha o pedido”, seus membros “por unanimidade, não se opõe a este pedido e recomendam sua aprovação (sic)”.

Orçamento, pela natureza do instrumento, é ferramenta de planejamento. É prévio à sua execução. Naturalmente, um orçamento é uma previsão, e diferenças ocorrem. Mas o conservadorismo na sua elaboração mitiga muito a ocorrência de rombos como este. Da análise dos documentos apresentados, constata-se que o suplemento solicitado deverá ser executado com empréstimos, se já não o foram, que aumentarão ainda mais o passivo do clube. Sem falar na aberração que é solicitar carga extra de recursos para um período que já passou.

Observando pelo aspecto político do clube, tal manobra pode ter sido orquestrada visando facilitar a aprovação das contas do exercício. Do jeito que está, aprovar as contas é algo inimaginável: gastou-se demais e cobre-se com empréstimos (“recursos de terceiros”). Atente-se para a responsabilização que pode recair sobre o Conselho Fiscal neste caso, ainda mais tendo em vista as alterações que o Projeto de Lei sobre o futebol, em tramitação no Congresso, podem vir a trazer.

Naturalmente, o rolo compressor e o modus agendi reinante no CDel atual deve aprovar este pedido esdrúxulo e, provavelmente, aprovar as contas de 2.009. Mas a Flusócio continua atenta a todos os detalhes, e informará ao torcedor o que de fato ocorre na situação financeira e patrimonial do Fluminense.




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