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8 de March de 2010

Há algo de podre no Reino do Laranjal

Maicon fora do Flu

Primeira vitória do Fluminense em um clássico em 2010. Atuação consistente. Promessa de craque, Wellington Silva, se firmando. Fred voltando a marcar. Motivos para iniciar a semana sorrindo de orelha a orelha. Certo? Seria, mas dentro da gestão Horcades, tudo é possível, até ficar triste após uma vitória de virada contra o Botafogo. A ducha de água fria veio fora do campo: salários atrasados e venda de jogadores importantes. Em um clube normal, existiriam soluções simples e lógicas, mas, infelizmente, hoje, na gestão Horcades, nada parece ser simples e lógico. Se a venda desses ativos servisse para amortizar a enorme dívida do clube, poderia haver algum consolo. Mas se tomarmos por base o que vem fazendo a gestão Horcades, os recursos descerão pelo ralo, quitando parte dos salários atrasados, enquanto novas dívidas surgem pela inconsequência de uma administração caótica.

Vamos destrinchar o caso Maicon para você, torcedor tricolor, saber em detalhes o que acontece nos bastidores do clube. O atacante tinha contrato com o Flu até o meio de 2012, com 50% dos direitos econômicos do Fluminense, outros 50% da Traffic (por causa da negociação do Conca). Após um belo segundo semestre em 2009, quando ele foi um dos alicerces para a arrancada tricolor, o mercado russo ficou interessado em seu futebol. O Lokomotiv Moscou ofereceu 4,5 milhões de euros (quase R$ 11 milhões, atualmente) por seus direitos federativos. O departamento de futebol do Fluminense bateu pé, e afirmou que não liberaria o atleta por menos de 5 milhões de euros (mais de R$ 12 milhões), até porque sua multa rescisória estava fixada em R$ 20 milhões. O departamento de futebol do clube e a Traffic ainda acertaram que Maicon ficaria no Fluminense pelo menos até o fim de 2010.

Estava tudo bem, e o jogador, que é tricolor de coração, feliz. O salário dele até dezembro do ano passado era de R$ 15 mil mensais, mas ele teve seu trabalho reconhecido e recebeu um belo reajuste, aumentando o valor de seu contracheque em mais de 120%. Passou a receber R$ 25 mil do Fluminense e R$ 9 mil da Unimed, totalizando R$ 34 mil, com uma perspectiva ainda de aumentar mais o valor ao longo da temporada. Só que o péssimo planejamento financeiro da gestão Horcades, colocou tudo a perder. O FFC passou a ficar devendo dois meses de salários este ano. O gestor Humberto Palma, com pires na mão, já que o clube antecipou todas as suas receitas desta temporada para quitar dívidas anteriores, estava louco para algum jogador ser vendido. De repente surge mais uma proposta por Maicon, também da Rússia, já que a janela de transferências no país fechará só no dia 15 de março.

 O interessado foi o Lokomotiv Moscou de novo. Valor oferecido: 4 milhões de euros, metade para o Fluminense, metade para a Traffic. A proposta era inferior a anterior, mas como na gestão Horcades acontecem coisas que até incrédulos com um neurônio duvidam, o clube fechou. O jogador até já assinou a rescisão com o Flu e acertou contrato com os russos. Fez exames médicos no Rio e embarcará ainda hoje para a Rússia, não podendo jogar mais por nosso clube. É um escândalo! Se não bastasse o Fluminense receber muito pouco por aquilo que produzimos, perdemos um jogador diferenciado, que era certo de ficar no clube pelo menos por esta temporada. Detalhe é que ainda houve a façanha de vendê-lo por um valor bem inferior aos 7 milhões de euros do Alex Teixeira ou aos 8 milhões de euros do Douglas Costa, dois atletas com potencial e futebol muito inferior ao de Maicon “Bolt”.

Perdemos um jogador forte, alto, rápido, objetivo, insinuante, que poderia jogar perfeitamente ao lado de Fred e Wellington Silva no ataque do Fluminense, mas a gestão Horcades não quis. Ele poderia sair do seu clube de coração com uma conquista, seja do Estadual, da Copa do Brasil ou do Campeonato Brasileiro, mas hoje, dentro das Laranjeiras, por incrível que pareça, títulos não são prioridade. Pior que ainda podem vir mais surpresas por aí. Conca já tem propostas do exterior, e é outro jogador que pode sair ainda este ano. É revoltante ver atletas identificados com nossa camisa e, principalmente, grandes promessas de Xerém serem vendidas sem dar quase (ou nenhum) retorno técnico para o Fluminense. Ano passado, após ficar quase três meses com salários atrasados, a joia Wellington Silva foi vendida ao Arsenal, e seu prazo de validade para a gente agora é só até dezembro deste ano.

Tememos que, devido ao último ano da gestão Horcades, esse seja o princípio de uma espécie de queima de estoque em meio a uma temporada promissora. Tememos que vendam os poucos ativos potenciais que restam em Xerém para quitar obrigações atuais, sem planejamento e sem pensar no futuro do clube, como já deu mostras no escandaloso orçamento do clube para 2010, aprovado de forma amadora e totalmente irresponsável com a saúde financeira do clube. Por isso, é muito importante que nós, sócios do clube, estejamos atentos sobre essas questões ao avaliar o melhor candidato para a sucessão presidencial em 2011. Devemos ter pé no chão e ciência da real situação do clube hoje antes de apostar em projetos engenhosos, mas inadequados para a realidade atual do clube, pois, provavelmente, o Fluminense não possa se dar ao luxo de errar mais uma vez na hora de escolher seu gestor.

Era para ser mais fácil

Fred

A oportunidade cristalina desperdiçada por Fred logo aos dois minutos de jogo foi um cartão de visitas do que estava por vir. O Fluminense dominou amplamente o adversário durante quase toda a partida, e com um pouco mais de eficiência poderia até ter feito um placar elástico.

Enquanto o Botafogo mal ameaçava, as boas jogadas do Fluminense se sucediam, como o lance em que Júlio César quase fez um gol antológico, de bicicleta. Mas em seu primeiro ataque de perigo, já aos 35 minutos, o Botafogo abriu o placar. Lúcio Flávio cruzou na área, o zagueiro Fábio Ferreira, em posição irregular, atrapalhou o goleiro Rafael, que espalmou, e Maicon, em vez de fazer o simples e chutar a bola para longe, tentou um drible, perdeu a bola e cometeu pênalti. Herrera cobrou e marcou.

Cabe lembrar que em situação semelhante, Maicon já havia contribuído decisivamente para deixarmos escapar uma vitória contra o Náutico, nos Aflitos, no Brasileirão do ano passado. O jogador tem crédito, mas merece uma orientação nesse sentido.

O panorama do segundo tempo não se alterou. O Fluminense dominava amplamente, buscava sempre o gol, enquanto o Botafogo se mantinha dentro da filosofia que lhe deu o título da Taça Guanabara: se defender a todo custo e, se possível, tentar algum contra-ataque.

Mas a pressão tricolor acabou surtindo efeito aos 16 minutos. Mariano enfiou belíssima bola para Maicon que foi ao fundo, levantou a cabeça e colocou na medida para Fred emendar de voleio. GOLAÇO!!! Quem sabe o gol que faltava para o nosso artilheiro ganhar confiança e voltar ao nível de atuações da reta final da temporada passada.

Seis minutos depois, Conca foi expulso com vermelho direto em uma decisão de extremo rigor do árbitro Rodrigo Nunes de Sá, esfriando a reação tricolor. Mas como a lei da compensação é uma regra na cartilha das más arbitragens, Herrera foi expulso em lance igualmente exagerado, igualando o número de jogadores em campo.

A seguir, Cuca colocou Wellington Silva no lugar de Maicon, e o nosso menino colecionador de camisas começou a infernizar a defesa alvinegra. Em um desses lances, o garoto foi ao fundo e cruzou para Mariano completar. Era o gol da vitória. Ainda houve tempo para Wellington Silva, em bonita tabela com Fred, quase ampliar o placar.

Voltamos a sentir o gostinho de vencer um clássico, algo que não acontecia desde o dia 07/06/09 (vitória de 1×0 sobre o mesmo Botafogo). Maicon fez boa partida, sempre dando muito trabalho à defesa adversária, apesar da comprometedora falha no gol alvinegro. Mariano também teve atuação destacada. E a estrela do garoto Wellington Silva mais uma vez brilhou, com a jogada do gol da vitória. Fred começou perdendo um gol feito, mas acabou se recuperando, com um golaço e algumas boas tabelas.

Se há um ponto em que a equipe tricolor precisa evoluir é na eficiência em produzir o resultado, em fazer os gols. Fomos superiores ao adversário nos três clássicos disputados na temporada, e por muito pouco não saímos sem a vitória de novo.




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