Um projeto impessoal

O ex-vice-presidente de futebol tricolor, Ricardo Tenório, concedeu recentemente entrevistas aos sites Torcida Tricolor e Canal Fluminense. A Flusócio se manifesta sobre essas entrevistas em relação às críticas que recebeu, pela vinculação ao seu candidato Peter Siemsen e ao projeto de gestão da candidatura. Ressalte-se ainda que este hoje está em fase de aperfeiçoamento conjunto com o grupo Tricolor de Coração, considerando as premissas e propostas bem conhecidas de ambos, visto que participaram das últimas eleições, e ainda aberto a propostas de novos grupos que venham a compor a frente de oposição.
Sem entrar nos pormenores de um litígio que é de caráter mais pessoal do que divergência ideológica, e evitando especular sobre as motivações que alimentam o seu posicionamento atual, e ainda sem deixar sempre de agradecer ao Ricardo Tenório pela sua participação e colaboração no processo de recuperação do Fluminense no Brasileirão 2009, gostaríamos de entrar no mérito das críticas sobre o nosso projeto de gestão Peter/Flusócio/TC, principalmente no que concerne à relação com o patrocinador e o iguala com o da candidatura da situação.
A Flusócio, como quem convive e conviveu conosco de perto e também quem acompanha suas opiniões através de seu blog já deve saber, pensa e age com os interesses do Fluminense sempre em primeiro lugar. Também temos críticas à relação do Fluminense com a Unimed, tendo a percepção de que os erros são cometidos pelas duas partes. A interferência do patrocinador no futebol do clube, apesar do patrocínio vir desde 1999, se iniciou em 2004, com o convite do ex-presidente David Fischel, pela parte do Fluminense, a que o Sr. Celso Barros, presidente da patrocinadora, assumisse a vice-presidência de futebol do clube. Desde então, seu sucessor, Roberto Horcades, tem deixado que a relação de interferência continue existindo.
O Fluminense precisa de um patrocínio compatível com a sua grandeza. Precisa de recursos para manter uma equipe de qualidade e competitiva, e tem ainda que criar alternativas para, enquanto não equaciona suas dívidas, conseguir que os recursos não sejam continuamente penhorados, o que tornaria o clube inviável operacionalmente. Seja a Unimed, seja outro patrocinador, o Fluminense merece que sejam em valores que lhe permitam montar uma equipe digna da sua camisa e que sua área de atuação se limite a ações de marketing criadas em parceria com o clube. E a gestão do futebol, expertise do Fluminense Football Club, fica 100% a cargo deste. Necessário, claro, que o clube demonstre seriedade e competência na sua área de responsabilidade, o que pelo o que sabemos vem faltando há muitos anos. A candidatura Peter/Flusócio/TC prega a defesa dos interesses do Fluminense e sua plena autonomia no que se refere à gestão do futebol, com qualquer patrocinador. Qualquer coisa diferente disso afirmada por qualquer pessoa ou é mera especulação, ou pura desinformação, ou há algum interesse envolvido.
Lembramos ainda que, apesar de ter sido dito que há insanidade ou ingenuidade em pensar que a relação com o patrocinador, qualquer que seja, será dentro dos limites definidos pelo clube, quando o Fluminense – devido a pressões políticas internas – estruturou seu departamento de futebol de forma profissional no final de 2006 e limitou a ação do patrocinador, colhemos bons frutos em 2007 (Copa de Brasil) e 2008 (Libertadores). Infelizmente, o bom trabalho foi desfeito pela falta de visão, firmeza e organização da administração Roberto Horcades/Tote Menezes.
Temos que enfrentar a realidade que o patrocínio com a Unimed foi renovado no final do ano passado pela administração do clube, com a anuência da vice-presidência de futebol, sendo inicialmente por um ano, mas com condições contratuais de renovação automática por mais três anos fechados (sem reavaliações e renovações a cada ano nesse período), sendo que a decisão de cancelamento só poderá ser feita com a manifestação explícita da atual administração, em final de seu mandato, pouco antes das eleições de novembro. O próximo presidente, portanto, poderá herdar um contrato de três anos com pouca possibilidade de renegociação, tendo que, em caso de querer rescindi-lo, pagar multa contratual e ainda quitar uma dívida pendente com o patrocinador. Criticamos, dessa forma, a negociação recentemente feita com a Unimed, que consideramos não foi a melhor na defesa dos interesses do Fluminense.
Com relação à afirmação de que o Sr. Celso Barros teria imposto ao nosso candidato uma administração colegiada do clube, nos parece uma inverdade, visto que Peter, após ter sido sugerida tal proposta – pelo desespero do patrocinador e até do presidente Horcades, que disse que não sabia o que fazer naquele momento (agosto passado) para salvar o clube das dívidas e do rebaixamento iminente –, marcou reunião com representantes dos grupos de oposição para dar ciência e discutir apoio conjunto à ideia, assim como uma semana depois houve reunião da Flusócio para deliberar sobre seu apoio ou negativa a tal proposta. Júlio Bueno também chegou a ser contatado pelo presidente da Unimed, pedindo união de todos em favor do clube. Claramente não houve imposição, e sim uma consulta desesperada focada principalmente no nome do Peter, visto sua credibilidade e forte representatividade na oposição à caótica administração Horcades. Essa proposta de gestão colegiada de todo o clube, pelas suas óbvias dificuldades políticas e operacionais, jamais foi à frente, mas dela resultou, posteriormente, no convite pessoal dos presidentes do clube e da patrocinadora direta e especificamente a Ricardo Tenório para a assunção da vice-presidência de futebol, que aceitou e, pela situação crítica do time no campeonato, arregimentou o apoio do Peter e da Flusócio.
Por fim, sobre as adjetivações de que o projeto de gestão Peter/Flusócio/TC seria teórico, inválido, subserviente, ingênuo e despreparado, ou mesmo que grupos com história e representação política no Fluminense apoiariam um candidato oportunista, temos a declarar que foi uma infelicidade do ex-vice-presidente Ricardo Tenório, e acreditamos que devam ter sido ditas em um momento de forte emoção, pois conhece bem as nossas diretrizes, propostas e ações. Consideramos imperiosa a transformação da administração do Fluminense do atual modelo arcaico de amadorismo, personalismos e divisão política calcada em rancores, para uma nova política de união de ideias que propicie a implantação de uma gestão moderna, eficiente, profissional, responsável com o patrimônio e as finanças, fundamentada em planejamento, metas, transparência e, sempre, acima de tudo, defesa inconteste dos interesses do Fluminense, nossa referência, nossa grande paixão.
