
Na noite desta quarta-feira, o Fluminense entra em campo para enfrentar o Uberaba Sport Club, fora de casa, em jogo válido pela Copa do Brasil. À primeira vista, um adversário simples, sem grandes atrativos, minimizado pela mídia, mas que pode complicar um time desatento ou desanimado.
A equipe mineira se classificou para a Copa do Brasil ao conquistar a Taça Minas Gerais (torneio estadual entre clubes não inseridos em nenhuma das divisões do Campeonato Brasileiro), e é treinada pelo ex-goleiro Marcos Biriguí, que teve passagens por Santa Cruz e Guarani. Seu elenco é formado por jogadores que em sua maioria atuam em Minas Gerais, tendo como destaque o atacante Douglas, ex-Santos. O time atualmente está em sétimo no Campeonato Mineiro, e na última rodada sofreu uma goleada de 5 a 0 para o Democrata de Governador Valadares, terceiro colocado.
O histórico do confronto nos favorece. Fluminense e Uberaba já se enfrentaram seis vezes ao longo da história, com quatro vitórias do Tricolor, um empate e uma vitória do Uberaba. Em dezembro de 1942, o Fluminense foi à cidade mineira realizar dois amistosos. Perdeu o primeiro por 2 a 0, e venceu o segundo por 3 a 1. Em 1954 foram três jogos entre as duas equipes, com três vitórias do Flu. Uma por 4 a 0 em amistoso no início do ano, com gols de Esquerdinha (2), Ivo e Didi. Outra por 1 a 0 pelo torneio triangular de Uberaba, que contou ainda com a participação do São Paulo, com gol do atacante peruano Villalobos. E finalmente uma vitória por 4 a 0 nas Laranjeiras, na única vez que este confronto se realizou no Rio de Janeiro. Os gols foram de Róbson (2), Esquerdinha e Didi. Por fim, no dia 20 de março de 1979, as duas equipes se enfrentaram pela última vez, novamente em Uberaba, em um amistoso que terminou empatado sem gols.
O Fluminense ainda se apresentou mais uma vez naquela cidade mineira, só que dessa vez contra o Corinthians pelo Campeonato Brasileiro de 1995. O jogo terminou empatado em 1 a 1, com gols dos zagueiros Lima para o Flu e Célio Silva para o Corinthians.
A Copa do Brasil é um torneio famoso por suas zebras. Portanto, todo cuidado é pouco amanhã em Uberaba.

O futebol carioca que, no início do ano, prometia chamar a atenção pelos artilheiros dos quatro grandes, tem se notabilizado por outro motivo, bem menos nobre: todos os estádios têm virado “vaziões”. Públicos ridículos, onde se chega ao cúmulo de se escutar a voz de um torcedor solitário nas arquibancadas. Feio para o “espetáculo”. Prejuízo para os combalidos cofres dos clubes.
A primeira razão para esse fracasso parece óbvia: o preço dos ingressos. É incrível a incapacidade dos dirigentes cariocas de precificar seus produtos. Cobrar R$ 40 por um jogo de primeira fase de Copa do Brasil? Um jogo que, por ironia, em vez de acontecer por motivo de sucesso em fases anteriores, só acontece por conta do fracasso de não conseguir fazer míseros dois gols de diferença em uma equipe de muito menos poder de investimento. Será que precisa ser muito inteligente para concluir que um jogo desses não pode custar o mesmo preço que um Fluminense x Boca Juniors, valendo uma vaga em final de Libertadores? Será que nossos dirigentes não entendem a diferença de “um joguinho” para “O JOGÃO”?
E no Estadual? Cobram R$ 30 nos jogos contra os chamados pequenos e R$ 40 nos clássicos. Esses preços são absolutamente incompatíveis, ainda mais se considerarmos a previsibilidade que vem marcando o Campeonato Carioca desde 2008. Desde que se aumentou o número de clubes de 12 para 16, apenas na Taça Guanabara de 2009, um pequeno, o Resende, deu uma de intruso, impedindo uma semifinal entre os quatro grandes. Nessa situação, fica claro para o torcedor dos grandes times que a simples classificação para a semifinal de turno nada mais é que obrigação. E os jogos da primeira fase, mero cumprimento de tabela.
Jogos desinteressantes e que, teoricamente, pouco valem. Preços absurdos e incompatíveis. Não bastassem esses ingredientes, nossos dirigentes acrescentam outros. Não há qualquer incentivo à fidelização. O torcedor que, apesar de todos esses pesares, comparece ao Engenhão em uma noite chuvosa de quinta-feira, sai de casa no domingo às 19h30 e vai na quarta-feira ver um jogo de primeira fase de Copa do Brasil gastando, em menos de uma semana, R$ 110 para acompanhar o time, será tratado da mesma forma que o torcedor que só aparece na final, enfrentando filas e, se mantido o costume, levando spray de pimenta na cara para garantir ingressos. Em outras palavras: para que “roer o osso” se na hora do filé mignon serei tratado como qualquer um? Pensamento legítimo e compreensível de torcedor.
E a logística? Agora, na onda do “choque de ordem” tiveram a “brilhante” ideia de não vender ingresso no estádio no dia da partida. Pelo menos, a medida só está valendo nos clássicos. O que até se justifica no caso de um jogo de grande apelo para evitar confusão nos arredores, mas é totalmente sem nexo em jogos com público de menos de 20 mil, 30 mil pessoas. Aquele velho costume carioca de, em um entediado domingo, virar para o amigo e, sem planejamento prévio, decretar “Vamos ao Maraca!” foi definitivamente sepultado. “Em nome da ordem”. Sem contar com a enfadonha “Lei Seca” nos estádios, um significativo fator para desestimular boa parte dos torcedores, que curte a natural combinação cerveja e futebol.
No caso específico do Fluminense, ainda acharam mais uma forma de afastar os tricolores do estádio: inexplicavelmente, acabaram com a meia entrada para sócio! Logo agora, quando mais de mil novos tricolores atenderam ao chamado pela Cidadania Tricolor, esse benefício, que já era difícil de ser exercido, dado o horário de 10h às 17h em dias de semana quando os ingressos eram vendidos, foi “arquivado”.
Enfim, para qualquer torcedor acostumado a ir aos estádios, os motivos que estão levando a esses públicos ridículos são mais que claros. Será que nossos dirigentes não conseguem enxergar? O problema é geral, de todos os times do Rio de Janeiro. Mas esperamos dos dirigentes do Fluminense uma postura proativa para mudar esse quadro. Afinal, não dá para, com uma dívida do tamanho da tricolor, se dar ao luxo de jogar partidas tão deficitárias.