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11 de July de 2010

Números: amigos ou inimigos

O Brasil não é uma nação educada em matemática. Esse fato chega a ser considerado charmoso e suscita todo tipo de brincadeira. Traz consigo, também, o hábito de atribuirmos aos números caráter, personalidade, ética. Até a Flusócio entra na brincadeira, vez por outra, embora, na verdade, números para nós sejam apenas isso, números, desprovidos de espírito e de moral. Vamos aos números, então. Façamos, de fato, um exercício futurista.

Fim do Campeonato Brasileiro. Sai a famosa notícia de jornal com as médias de público. De repente, o Fluminense, bem colocado na tabela, campeão ou pelo menos com vaga na Libertadores, aparece em décimo quinto lugar na média de público. Escárnio para alguns jornalistas que sempre jogam contra, motivo de gozação para as torcidas adversárias, justificativa para não darem a atenção merecida ao Flu.

Por quê? Porque olharão para os números como manifestação emocional de nossa torcida, dirão que a torcida tricolor não é tão fiel quanto as outras, ou só comparece em momentos particulares. Esquecerão, contudo, de olhar para alguns outros números que, se bem analisados, explicarão com muito mais simplicidade nossa média de público. Ei-los: o Brasileirão terá 12 rodadas de meio de semana e 26 rodadas no fim de semana. Razoável seria imaginar que os times jogassem, em média, 6 partidas de meio de semana e 13 de fim de semana em casa.

Claro que fazer uma tabela é mais complicado que isso, mas um desvio de duas partidas para cada lado ainda é razoável. Pois bem, o Flu fará simplesmente 10 partidas de meio de semana em casa. Naturalmente, mandará apenas 9 partidas de fim de semana no Rio. Sabemos que as partidas de meio de semana atraem muito menos público do que as de fim de semana. Some-se a isso a falta do Maracanã e poderemos perder muito dinheiro esse ano.

Claro que esse é apenas um exercício. Cabe a nós, torcedores do Flu, contrariarmos as estatísticas, as probabilidades, e lotarmos os estádios ao longo do campeonato, onde e quando quer que joguemos. Quem sabe, no fim do ano, possamos escrever um post no blog dizendo exatamente o contrário: apesar da tabela claramente prejudicial e da falta do Maraca, o Flu teve uma das melhores médias de público do campeonato.




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