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13 de July de 2010

Emerson, o reforço do ataque tricolor

Muitos tricolores torceram o nariz para a contratação do Emerson, o “Sheik”, porque o jogador foi muito identificado pela mídia como ligado ao Flamengo, com o exagero habitual que envolve muitos dados sobre o Flamengo na imprensa. Outras restrições também se fizeram pelo altíssimo salário, esta sim uma crítica mais objetiva. A identificação com o Flamengo, na verdade, não tem nenhuma importância. O que importa realmente é saber se o jogador vai ser útil ao time ou se vai ter rendimento técnico e físico para acrescentar ao Fluminense. Emerson é bom jogador, longe de ser craque ou de ser decisivo – mas será um ótimo complemento para o elenco tricolor e já que foi contratado, terá todo o nosso apoio. É um bom reforço. Outros jogadores identificados com o Flamengo tiveram ótimo desempenho no Fluminense, alguns chegaram a ídolos da torcida e tiveram os nomes associados a conquistas históricas.

Nos anos 70, quando o Campeonato Carioca era praticamente tão importante quanto o Brasileirão, em 1973, o Fluminense contratou Dionísio, o “Bode Atômico”. Dionísio veio desacreditado, devido a um histórico de lesões e uma cirurgia de meniscos – o que na época não era tão simples quanto hoje. Iria substituir ídolos como os matadores Flávio, Mickey e o argentino Luisito Artime. O “Bode Atômico” formou uma dupla infernal com Manfrini e nos levou ao título carioca de 1973 justamente em cima do Flamengo, com um fantástico 4 a 2 em uma noite de chuva e uma atuação espetacular de todo o time. “Bode Atômico” era o apelido aplicado pela mídia em homenagem à extraordinária capacidade de cabecear de Dionísio, que tinha 1 metro e 75, mas uma notável impulsão e uma técnica perfeita.

No fim de 1975, revoltado com a derrota da Máquina para o Inter por 2 a 0 no Maracanã que nos tirou o Campeonato Brasileiro depois de uma brilhante campanha, o então presidente Francisco Horta mandou o goleiro reserva Roberto, o lateral direito Toninho Baiano e o ponta-esquerda Zé Roberto para o Flamengo. Trouxe de lá o goleiro Renato (campeão brasileiro em 1971 com o Galo), o lateral Rodrigues Neto e o centroavante argentino Doval. Foi o único troca-troca favorável ao Fluminense entre todos os realizados por Horta. Os três ex-rubro-negros foram excelentes no Flu, principalmente Horacio Narciso Doval, ídolo até hoje de tricolores com mais de 40 anos. Era um jogador carismático, com impressionante garra e presença na área, boa técnica, e que nos deu o título de 1976 com uma cabeçada contra o Vasco no finalzinho do jogo. Renato era um goleiro mediano e comportou-se bem no nosso gol. Rodrigues Neto começou no Flamengo como volante, foi deslocado para a lateral-esquerda e, no Flu, atuou muito bem nas duas laterais. Era também um jogador muito aguerrido, excepcional marcador e bom apoiador. Tanto que foi convocado para a Copa de 78, na Argentina.

No time campeão carioca de 1980, tivemos a sorte de contar com Cláudio Adão, que havia sido rejeitado pelo Flamengo e realizou um grande campeonato. Um centroavante com rara habilidade com a bola nos pés, grande cabeceador, com uma visão de jogo e uma técnica que não eram comuns em homens de área. Anos depois, entre 1989 e 1990, o Fluminense passou por uma das piores crises técnicas de sua história. O time em campo era muito ruim, as diretorias que sucederam a Manoel Schwartz haviam liquidado o timaço tricampeão, a verdadeira Máquina. O Flamengo nos cedeu o meia Renato por empréstimo, que havia se destacado no América, e o ponta-direita Sérgio Araújo, o “Ben Johnson”, revelado pelo Atlético Mineiro. Os dois jogadores contribuíram para nos tirar um pouco da penúria, e Renato chegou a fazer um ótimo Brasileirão em 1991, quando caímos na semifinal para o Bragantino.

Junto com Doval, o outro grande ídolo tricolor identificado com o Flamengo foi Renato Gaúcho, que chegou desacreditado e quase aposentado em 1995, e nos levou a um apoteótico campeonato carioca e uma grande campanha no Brasileirão. Naquele mesmo ano, tivemos o guerreiro Ailton, outro ex-rubro-negro, que foi renegado pelo então presidente do Flamengo, o Kleber Leite, e fez a jogada antológica do gol do título estadual tricolor. Mais recentemente, houve ainda os casos de Romário, que foi espetacular em seu primeiro ano no Tricolor, em 2002, justamente o ano do nosso centenário, além do volante Fabinho. Eles não nos levaram a títulos, mas tiveram papel importante no Fluminense. Portanto, esqueçamos qualquer identificação de Emerson com o Flamengo. Ele é jogador do Fluminense! Que o atleta nos encha de alegria e tenha atuações dignas dos salários que vai ganhar. Bem-vindo, Emerson!

Crédito da foto: Site oficial do FFC




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